Ang Lo Faz Uma Ode à Serenidade (resenha)

Por Jorge Rocha
jorgerochaa@hotmail.com



Transformar em arte tudo aquilo faz parte da sua vida e ou imaginação. Esse é o papel de um artista. Talvez o segundo habitante da terra fosse um, e o primeiro veio para servir de inspiração. Talvez o primeiro mesmo, olhando a natureza que existia a sua volta conseguisse transmutar aquilo em algo lúdico. Para um verdadeiro artista, o nada, não existe. A arte só acaba quando não houver mais reflexão, fantasia e pensamento.

Angelo Custódio, brasileiro, carioca, suburbano, pai, filho, trabalhador, músico, religioso e jovem. Na adolescência tocava baixo e bradava numa banda de Grind, “Chicória-Trio”, como eles mesmo se apelidavam: o Pau de Sebo. Mas se nos tempos de puberdade, a fúria incontida contra tudo aquilo que o afligia era a tonante básica. Com o amadurecimento, a percepção do individuo em questão se amainou.   

É inevitável, dentro de um processo de crescimento, se deter apenas superfície das coisas, mas sim querer ir além disso. O aprofundamento artístico de Angelo, começa com o batismo de um novo nome: Ang Lo. Passando pelo seus estudos de vários ensinamentos esotéricos-espirituais, a sempre bem vinda paternidade e o aprendizado de novos instrumentos percussivos, de cordas e outros artifícios singulares.

Em “De fora pra dentro, de dentro pra fora...”, podem ser ouvidos sons vindos de um chinelo de borracha e apitos de passarinho. Foram usados na gravação: um violão de aço e outro de nylon, um contrabaixo elétrico, teclado de brinquedo, além de duas moringas, triângulo, caxixi e macumba. Todos tocados por Ang Lo, levando a audiência para um ambiente cheio de texturas, porém muito sucinto.

O disco começa com uma homenagem instrumental à sua filha. “Bela Manuela”, tem um som esperançoso, um assovio alegre e convida o interlocutor a desfrutar de algo bucólico. A voz Ang Lo, aparece logo nos primeiros segundos da segunda música, “A luz”, um apelo de purificação. O trabalho passa pela instrumental “Sambatango” e desembarca na passional “Reescrevendo”. A rápida “Chinela” é a faixa mais experimental da obra, e faz uma abertura sincera para a atmosférica música “Meu Canto”, que nos leva diretamente à calma dos ambientes campestres e serranos.

Ang Lo, parte para o desfecho do disco com um Reggae cativante, “Tolerância” é um som que poderia animar qualquer lual e demonstra uma idéia de pluralidade religiosa. “Vento Armonial” é outro exemplo de música instrumental cheia de tramas. A obra segue com “Vivendo”, algo que remete a um Samba-Rock, uma letra cheia de ensinamentos, que fala de evolução de forma metafórica e passa a ideia de juntar as pedras e construir um castelo, em referência (muito discutida) ao português Fernando Pessoa.

A faixa que fecha o trabalho tem 8 minutos. “Viagem Astral”, contém coisas como: o Maha mantra, o Mantra de Buddha Shakyamuni, a Oração de São Francisco, o canto índígena norte-americano The River Is Flowing e Om Shanti. Coisas que transcendem o ambiente musical, enchem a audição de conteúdo, paz e convidam para uma percepção diferente de mundo. No fim, o papel de artista de Ang Lo, parece estar completo. Os sons dispostos nesse disco conseguem transportar uma série de sensações, traduzidas em ondas sonoras.

Jorge Rocha é Jornalista, idealizador do fanzine "Hermes Zine" e do Blog "Depressões Póstumas do Pop Punk", colaborador no site "Consciência Alternativa" e na revista "International Magazine". Vocalista das bandas "Oxíuros" e "90 Contos". E autor do Livro "Rock Maya - Se você quer uma cena forte, você tem que criá-la!"


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